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Café&Cigarros Esse é pra ir pro Favoritos!!! O endereço desse blog mudou. Agora é www.cupa-coffee.blogspot.com Escrito por Thaida às 16h33 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] ![]() Escrito por Thaida às 09h01 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Sempre que vou ao cinema, ou quando assisto a um filme em casa, ou mesmo quando leio alguma coisa ou olho um quadro, eu me pergunto: “o que tem aqui que eu nunca vi em lugar algum? Qual é a novidade? O que há aqui que eu não conheça?”. Se algum sinal de novidade aparece, compensa tudo, me deixa danada. Se não, descarto (pelo menos conscientemente). Felizmente a primeira opção tem acontecido com mais freqüência. Gostei de assistir “ Cheiro do Ralo”, descobri “Último Tango em Paris” (e que puta fotografia). “Hannah e suas Irmãs” também foi uma ótima surpresa (Woody Allen divagando sobre a inutilidade do pensamento dos grandes filósofos para sua vida prática é hilário). Ver a Jeanne Moureau como a Catherine de “Jules et Jim”, toda senhora de si, defendendo o amor livre e a honestidade para com os próprios sentimentos também é inspirador.
Maria Schnider e Marlon Brando em Último Tango
Woody Allen em Hannah e suas Irmãs
A cena clássica - Jules et Jim
Passar numa banca de flores, num dia da semana, e comprar um vasinho colorido pra enfeitar a casa já é uma delícia, mas ganhar é melhor ainda. Ganhei um girassol lindo há uns dois dias, e é incrível a boa vibração que ele passa pro ap. Isso me faz lembrar de uma senhora, amiga, que foi ao meu chá de bebê (isso há mais de um ano), e levou pra casa uma das lembrancinhas que eu havia preparado (saquinhos com sementes de girassol e amor-perfeito). Tempos depois descobri que ela não só plantou as sementes, como também deu um nome ao girassol: Pedro, o mesmo nome que eu havia escolhido pro meu filho que ia nascer. Hoje, os dois Pedros estão aí, fortes e lindos. Acho isso o máximo.
Rainha-mãe Essa é pra quem gosta de bolsas e acessórios mais artesanais. Descobri um site de vendas online, com bolsas lindas, carteirinhas, sapatos... mas as bolsas Frida e as carteirinhas são o que há de melhor. O site também é lindo.
A bolsa
Crème de la crème Pauzinhos de canela, com uma das pontas cobertas de chocolate. São pra mexer o café, que fica com gosto leve de canela e chocolate no fundo. Descobri outro dia numa chocolateria aqui do bairro, comprei pra experimentar. É tudo de bom.
Escrito por Thaida às 08h59 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Tolerância ao grotesco
Esses dias ouvi alguém dizer para uma multidão: “vocês, que têm tanta urgência em parecer bonitos, tanto medo do feio, do velho... tanta necessidade de não se misturar...”. Não me lembro o propósito do discurso, mas foi uma das primeiras coisas a me vir à cabeça depois de me sentar aqui pra escrever sobre “A Pele”, filme-fábula baseado na vida da fotógrafa Diane Arbus. Ouvi sobre Arbus pela primeira vez numa aula de História da Fotografia, e desde então ela nunca me saiu da cabeça. Eu também nunca fui atrás pra conhecer bem sua obra, e então ela ficava lá no fundo, em banho-maria. Até eu assistir ao filme. Nada muito revolucionário, mas gostei. Gostei da interpretação da Nicole Kidman (que tem feito uns filmes legais, como o Dogville e As Horas) e gostei da mistura de ficção e vida real que a gente vê na tela e que impede que o filme caia naquela armadilha de ser mais uma cinebiografia “infiel” e sem-graça. Amei o personagem de Diane (Dee Anne), seu caráter feminista, sua liberdade. Adoro ver filmes (como o Jules et Jim que eu vi há algumas semanas) que narram esses processos de libertação feminina, se é que esse é o melhor termo. Libertação de uma vida doméstica na Nova York da década de 50, de uma mãe ultra-controladora e castradora, de uma ocupação como mera assistente do marido fotógrafo (e hoje ninguém nem lembra do nome dele), de um casamento sufocante, de uma visão de mundo que não tolerasse nada que saísse dos padrões do que era tido (e ainda é) como “normal”. Enfim, o personagem de Diane é inspirador, não só no que se refere à postura feminina nos dias de hoje, mas também em relação à nossa tolerância ao que é estranho e fora dos padrões estéticos. Escrito por Thaida às 14h46 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Pra fazer jus ao nome... Não tem coisa mais dona-de-casa (Virginia Woolf que me perdoe) do que pôr receita em blog, mas lá vai: Café Vienense Ingredientes: 1 litro de leite integral; 2 cravos; 1 xícara (café) de café; 115g de chocolate meio amargo picado em pedaços; 3 gotas de essência de baunilha; canela em pau. Modo de preparo: Aquecer o leite com as especiarias até ferver. Acrescentar o chocolate, o café e a essência de baunilha. Mexer. Servir (rende 4 xícaras). Escrito por Thaida às 09h18 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Frescurinhas... Algumas das minhas frescuras, paixõezinhas, crushes... fotografias dos livros Beatles Anthology, Rock and Roll Heroes (fotografias de Bailey). Livro infantil Charlie e Lola (que é fofíssimo, e também serve pra quem nem é tão infantil assim...). Meu sol asteca trazido diretamente do México, minha boa e velha xícara de café. Escrito por Thaida às 09h12 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Pra ler, ver, assistir...
América Allen Ginsberg
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Amarelo Vermelho Azul Kandinsky
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Scoop – O grande furo (Só pra quem gosta de Woody Allen). 2006
Tenho um sério problema quando se trata de crítica a filmes, música, livros etc. Quando me apaixono por algum diretor, ator, autor ou músico, fico totalmente cega e incapaz de fazer uma leitura, digamos, objetiva da obra. Por exemplo, assisti ao ‘Scoop’ do Woody Allen, e amei. É uma comédia romântica, e o tema não é muito relevante, nenhuma discussão mais aprofundada sobre nada. Nem chega perto de ‘Noivo Neurótico, Noiva Nervosa’. Mas eu amei. Amei a história, os atores (Scarlet Johansson, pra variar, diva, e o ex-Wolverine Hugh Jackman, maravilhoso – sem contar o desempenho do próprio Woody Allen, como o neurótico de sempre). As velhas piadas com o judaísmo de sempre, as mesmas cenas domésticas e cotidianas (se tem algo que eu gosto muito, são essas cenas domésticas, com pessoas conversando ao mesmo tempo). Só pra quem gosta do velho Woody Allen.
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Descalços no Parque (1967)
Esse é pra quem curte os mais antigos, mas também é uma comédia romântica deliciosa de se ver. É bem água-com-açúcar, mas vale a pena ver a Jane Fonda (linda, louca e divertida) e o Robert Redford (lindo e quadrado) fazendo um casal recém-casado que começa, depois dos dias mágicos de lua-de-mel em um hotel de primeira, a enfrentar os problemas da vida doméstica: um teto quebrado, um apartamento pequeno, vizinhos estranhos e por aí vai. Dá pra imaginar o resto. Filme leve e divertido, pra se assistir despretensiosamente numa tarde, comendo bolo de chocolate.
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Factotum – Sem destino (2005) Cinebiografia do Bukowski, com Matt Dillon no papelo de Hank Chinaski (alter-ego do Bukowski), levando uma vida cheia de empregos, muheres e jogos medíocres o bastante a ponto de não interferirem em seu interesse principa: escrever. Esse é bom mesmo, embora não substitua o prazer de ler um bom Bukowski.
*** Escrito por Thaida às 09h52 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Ora bolas. Sabedoria, pura sabedoria. Eu bem que queria chegar a esse nível de sossego e paz interior. Queria ser alguém que, quando olha pros problemas do dia-a-dia, pras pessoas correndo aflitas pra lá e pra cá, para a falta de grana, para o medo de ser assaltada na rua, simplesmente dá de ombros e sussurra: “ora, bolas...”. É claro que a filosofia não é minha. Veio de um livro que eu adoro, O Amanuense Belmiro, de Cyro dos Anjos, que soube explicar, infinitamente melhor do que eu, qual o real sentido de se olhar pra tudo e soltar um “ora, bolas...”: “Em verdade vos digo: o que escreve este caderno não é o homem fraco que há pouco entrou no escritório. É um homem poderoso, que espia para dentro, sorri e diz: ‘ora bolas’. Primeiro de janeiro – ora bolas. Os amigos andam sumidos – ora bolas. Vi a donzela com o noivo – ora bolas. Será mesmo no dia quinze – ora bolas. Lá se foi o ano – ora bolas.” Ah, se a vida fosse perfeita... _____________________________________________ Enquanto a filosofia do ora bolas não é posta em prática, vou aprendendo a me conformar com os percalços e olhar as coisas por um lado bom, ou ao menos, otimista. A vida é corrida, mas a gente aprende a separar os afazeres importantes daqueles que não o são. A grana tá curta? Compro o essencial. Amigos dão mancada? Não tenho mais tempo pra eles. Enfim, não se perde tempo com gente que só reclama da vida (e não se perde tempo reclamando da vida), não se perde tempo sentindo frio, sentindo dor, sentindo ciúmes, sentindo vergonha. Como é bom não sentir vergonha. Tenho tempo pra curtir minha família. Meus pais, meu filho, meu companheiro. Meus sobrinhos que são as crianças mais danadas e incríveis do mundo. As cervejas com a amiga, os papos gostosos de mesa de bar (estão voltando!!!). Os bons livros. _____________________________________________ Falando em vergonha, esses dias eu conversava com a minha mãe (aquelas conversas gostosas que se tem na cozinha, depois do almoço ou tarde da noite) sobre cirurgia plástica. O bom de ter uma conversa em que vários pontos de vista se chocam é que aí você tem mais certeza daquilo que pensa. E eu percebi que não sou mesmo do tipo que vai encarar o bisturi na mesa de cirurgia só pra ter uma bunda maior, uma cintura de pilão ou peitos com os bicos apontando pra cima. Não encarei bisturi nem mesmo pra ter meu filho, quanto menos pra pôr bunda. Na faculdade eu tinha uma professora ótima, que dizia, com toda a seriedade do mundo: “assim fica complicado, não dá, as modas mudam muito rápido..! Um dia, a moda é tirar peito, no outro, é pôr peito. Primeiro, põe bunda, depois, tira bunda... Assim não dá...”. Eu acho que concordo com ela. Lembro também de uma conhecida, que eu admiro demais, e que, acredito, nunca fez plástica. Ela já passou dos 40, é mãe solteira. Trabalha, cuida dos filhos, da casa e ainda tem tempo pra escrever livro. Fala alto, é segura, usa uns vestidos lindos, saltos gigantescos, está sempre bronzeada e rindo. Ela já teve 3 filhos e com certeza não se encaixa nos padrões atuais de beleza. E você acha que essa mulher precisa de plástica??? Pra quê, meu Deus??? _______________________________________________ Filme totalmente excelente do mês: Borat. Muito, muito, muito bom. Vai demorar pra eu perceber tudo o que existe nele, mas, de primeira, já adorei. Escrito por Thaida às 14h50 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Curtas ...porque internet é isso mesmo. Informação vapt-vupt e superficial. ::Jeff Buckley exige dos ouvidos:: Bem como eu li esses dias em algum lugar (que não me lembro mais), Jeff Buckley acaba com a gente. É um som muuuuito sério, romântico (e não sentimental), agressivo (e não pesado), apaixonado (e também cool e sexy). E, depois de tudo isso, morreu jovem. Afogado nas águas do Mississippi. Andei ouvindo o álbum Grace esses dias. Nesse frio, tomando um bom café artesanal, ouvindo “Lilac Wine” na voz do Buckley, não tem jeito. A gente pensa na vida mesmo, até demais.
::Lóreal Paris. Porque você merece. Se for branca:: Um ótimo texto sobre as últimas acusações de racismo sofrida pela gigante da beleza francesa. Segundo se afirma, a empresa teria exigido, como condição para seus casts de modelos para publicidade, entre outras coisas, que elas fossem BBR – bleu, blanc, rouge (as cores da bandeira francesa e não por acaso uma manifestação rasgada de xenofobismo). Texto na íntegra: www.sindromedeestocolmo.com
::Cinema alemão e italiano:: Morreram, num tempo tão curto (e injusto) o Bergman e o Antonioni. E, mesmo sem ter assistido nenhum filme do Bergman e somente o “Blow Up” do Antonioni, dá pra lamentar.
::Última:: “Little darling, I feel that ice is slowly melting...” (Here Comes the Sun, do George Harrison, meu Beatle favorito). Escrito por Thaida às 09h19 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Então, teve uma época que eu queria trabalhar como garçonete. É claro, isso já faz uns anos, eu não tinha muitas responsabilidades nem com a minha vida, nem com a de segundos e terceiros... Não que eu tivesse na cabeça aquela idéia de ser “a garçonete” das letras de blues, aquela com as “long white shiny legs” de fora, cantada pelo Bob Dylan (“Highlands”). Não era essa a minha idéia (tudo bem, só um pouquinho). O que eu tinha na cabeça era a noite, o café, conhecer gente, as bebidas, a boemia, o ambiente descontraído, os músicos. Imagina que gostoso. Estar do outro lado do balcão (uma vez li uma frase do Keith Moon, do Who, numa entrevista em que ele falava sobre a possibilidade de abrir um bar: “de qualquer forma, sempre estarei de um lado ou de outro do balcão...”). Então fui. Entrei no café, entreguei meu cv. Pediram que eu esperasse, que me sentasse lá ao fundo do café, perto do palquinho. Sentei. Esperei. Reparei em tudo à volta. Paredes cheias de quadros. Depois de 5 minutos vem uma senhora, perua, esticada - uma antiguidade. Era uma das donas do café. - Você quer trabalhar aqui? - Sim, estou procurando emprego e aceito qualquer cargo. Ela olhou bem pra mim, olhou pro currículo que estava nas mãos dela. Levou uma das mãos ao rosto e lamentou: - Menina, mas com esse currículo, onde é que eu vou te encaixar? [detalhe: eu estava cursando Letras na Unicamp] Eu não posso te colocar pra trabalhar aqui em baixo... Já sei: nossa assistente de administração vai sair em um mês. Quer ficar com a vaga dela? Num misto de frustração e expectativa, topei. Resultado: um mês de trabalho chato e tédio. Eu camelava durante o dia, no andar de cima do café, quase sozinha. Ficava lá metida, enterrada sob pilhas de papéis e notas fiscais. Lidava com grana. O único contato que eu tinha com os clientes era quando eu descia pra fazer o pagamento de fornecedores de frutas, gelo, bebidas e dos músicos que vinham receber. Aí era até legal. Descia, batia um papo de 5 minutos, tomava um cafezinho gostoso [às vezes até rolava uma caipirinha da boa, mas a perua esticada tinha que estar num dia dos bons]. Resultado disso tudo: aprendi a mexer com notas fiscais, contas a pagar/receber, como dar cambau em certos impostos... Só. Depois de um mês, caí fora, e resolvi tentar ser vendedora numa livraria linda que ficava perto do café. Bom era o tempo em que eu podia escolher emprego.
The waitress, Manet - ai, imagina que legal... Escrito por Thaida às 10h24 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Bonheur lyrique Coeur de phtisique (adoro a idéia de uma felicidade que se compare à de uma criança pobre com sua boneca de trapos, feita por ela mesma) Escrito por Thaida às 10h02 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O Mário de Andrade, numa carta pro Bandeira (sinto que esse assunto vai dominar nos próximos posts... enquanto eu não terminar de ler o livro, só vou escrever sobre isso... tento evitar, mas qual), escreveu que se sentia desconfortável, pra não dizer outra coisa, diante da situação em que ele se encontrava, em relação aos amigos do grupo dos 5: Oswald, Tarsila, Anita e Menotti. Sendo esses ricos e ele, digamos, alguém que precisava escrever ensaios e mais ensaios pra garantir o dia de amanhã, ele se sentia mal por não poder freqüentar as mesmas baladas que os ricaços da oligarquia cafeeira. Queria a companhia deles, afinal, era um grupo e tanto em termos intelectuais. Mas o orgulho não permitia que lhe pagassem nem um cafezinho, quanto menos as viagens a Paris. Quem nunca esteve nessa situação? E não me refiro apenas a círculos de amizade, mas... por exemplo... o lugar onde se mora. Quando mudei pro apartamento onde estou agora, me achava incrivelmente sortuda. Nem tanto pelo apartamento (pequeno porém amado), muito mais pela sua localização. Uma praça enorme, um teatro e um anfiteatro. Um supermercado aberto 24h. Um café lindo. Bancos. Ônibus pra qualquer canto da cidade. Museu de arte moderna. Uma grande biblioteca. Pizzarias, bares. Ótimos restaurantes. Uma loja que vende chocolates maravilhosos. Uma feira de antiguidades onde você acha roupa chapéu incenso tapioca trufa tapete espelhos velas quadros filmes antigos livros usados etc. E além de tudo moro num prédio antiqüíssimo, e tenho vizinhos incríveis, super generosos. Às vezes parece que estou no céu. Mas não estou (“mas que céu pode satisfazer seu sonho de céu?”). Aqui tudo é caro. Aqui não tem cinema e o jornal local expressa manifestações claras de facismo. Eu gosto desse lugar, mas não sou daqui. Me divirto aqui, mas uma vozinha lá no fundo me diz que isso aqui não é mesmo o meu sonho de céu. Amor - 0 = ? O meu amor fala como o silêncio Sem ideais ou violência Não preciso dizer que ele é fiel Sim, ele é real como gelo, como fogo. O vento sopra como uma marreta A noite uiva fria e chuvosa O meu amor é como um pássaro negro De asa ferida, à beira da janela. Escrito por Thaida às 09h19 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Nerdice compensa nerdice Em dias como esse, as horas se espremem, se espremem... e o tempo vai ficando mais valioso, mais e mais caro. Não tem jeito, a relação é inversamente proporcional: quanto mais coisas se tem a fazer, de menos tempo se dispõe (e a recíproca é inteiramente verdadeira). Não tenho tempo quase nenhum, mas queria poder sentar aqui e escrever um texto decente, com um mínimo de revisão (para uma revisora, publicar um texto não revisado, mesmo em um blog que pouca gente lê, é frustrante!!!). Queria sentar pra ler um jornal ou ver um filme (se bem que, como eu estou em crédito com o meu querido desde que ele foi assistir à palestra do Antonio Candido, poderei ir sem remorsos assistir ao Jules e Jim - Truffaut, gente! - no MIS semana que vem). Nerdice compensa nerdice. Eu queria ter um pouco mais de tempo pra aproveitar meu Presente do último dia dos namorados. Presente com p maiúsculo mesmo. Tá ali na prateleira da sala, bem acima do Rimbaud e do Burroughs. Toooodas as cartas que o Mário de Andrade trocou com o Manuel Bandeira. Estou ainda no começo, andando a passos de tartaruga, à la Dantas, mas assim é mais gostoso. Dá pra saborear bem devagar os questionamentos do Mário e aquela linguagem ao menos aparentemente despretensiosa do Maneco. Hunf, é claro que eu posso chamá-lo dessa forma! Estou lendo as cartas dele, ora... Sei que esse post tá muito cheio de pedidos e carece de tempo. Então só mais uma coisinha: tomara que chova. ps: esse gatinho do template não é uma graça? Escrito por Thaida às 09h24 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O único pick-me-up que veio pra ficar Não sei se acontece com todo mundo, mas minha paixão por certas músicas ou grupos meio que segue uma espiral. Eu fico um tempo ouvindo só um determinado grupo, depois outro, depois outro, e acabo voltando ao primeiro (mas ouvindo músicas diferentes das de antes) e assim por diante. Não sei se fui clara. Exemplificando: na minha adolescência fui tarada por Beatles. Ouvia sem parar Help, Let it Be, Yesterday, enfim, os clássicos. Depois, fui pra Bob Dylan: Like a Rolling Stone, Mr. Jones… E depois as clássicas do Who e dos Stones. Sempre as classiconas, até enjoar. Depois de um tempo, revisitava cada um deles, mas indo mais pras músicas menos conhecidas, mais B-side, descoberta essa que é muuuuito mais gostosa, porque dá uma sensação de intimidade com a música (afinal são só você e mais meia dúzia de gatos pingados que têm a sensibilidade e a perspicácia de conhecer as músicas lado-B). E, agora, tô ouvindo as B-sides da Band e as da carreira solo do baixista, Rick Danko, que pouca gente deve conhecer, e que é ma-ra-vi-lho-so. Entre essas músicas, descobri uma chamada “Java Blues”, que eu amei de cara, e que tem muito a ver com esse blog e comigo. A letra, bem-humorada, fala basicamente de café e seus benefícios, e tanto os exalta que a letra chega a parecer um texto publicitário (“o único estimulante que veio pra ficar”, “o gosto é como um jato vulcânico”, “ninguém vai me deter se eu beber demais”...) . Aqui vai a letra e o link pra uma apresentação no youtube. A qualidade do vídeo é uma bosta, afinal é da década de 70, mas vale a pena insistir. Pra quem gosta de blues e café, claro. ::JAVA BLUES:: (Rick Danko) Stopped by a diner, and the blond behind the counter Asked if she could help in any way I could tell by her smile, her number I could dial If i was in the need of company I asked her for some Java Instead she brought a cup of chickory A taste of Java, is like a volcanic rush Nobody's gonna stop me from drinkin too much Costs many more than you care to pay But money is nothin, compared to a fired-up day Don't try to cheat, it's impossible to beat the only pick-me-up that's here to stay Java Blues ... coffee's got me Java Blues ... coffee coffee coffee Java Blues ... well the coffee's got me Java Blues ... coffee coffee coffee You know that I'll stay high Drinkin coffee till I die Java blues Won't you boil me water ... fill up my cup You know it takes alot to keep me up Down in Bolivia ... the people are insane They want as much for Java as they do for cocaine Don't try to cheat, it's impossible to beat The only pick-me-up that's here to stay Java Blues ... coffee's got me Java Blues ... coffee coffee coffee Java Blues ... you don't know what it does to me Java Blues ... coffee coffee coffee You know that I'll stay high Drinkin coffee till I die Java Blues ... http://www.youtube.com/watch?v=LvnxoQcf_SM ![]() Rick Danko e Robbie Robertson, 1971 Escrito por Thaida às 09h43 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] É bem assim: eu começo a torcer por um time e ele começa a se dar mal. Por muito tempo, eu era palmeirense, muito mais por tradição familiar do que por uma escolha consciente. E só via o time cair e cair na tabela do campeonato. Há pouco tempo, comecei a ficar impressionada com o futebol do Grêmio (como uma espectadora leiga, é claro que o que me impressionou foi uma vitória bonita em cima do Santos e os jogadores não muito feios – isso basta pra mim). E não é que o bendito perdeu a final da Libertadores ontem? Hunf. Mas isso tem muito mais a ver com o Grêmio e o Boca do que comigo. Tem muito mais a ver os jogadores do que com a minha regrinha de azar. Ah, sim, continuo torcendo pelo Grêmio. Falando em Grêmio, lembrei agora de um gremista famoso, um crazy guy. Eduardo Bueno, que entre outras pérolas já soltou que “futebol arte é coisa de veado”. Mas não é sobre isso que eu quero falar. É sobre uma entrevista in-crí-vel que eu assisti ontem: o Pasquale – Vacilão – Cirpo Neto entrevistando o Eduardo Bueno. Naquele programa Nossa Língua Portuguesa. Eu estava num dos meus poucos momentos de ócio, e como agora eles são muitississíssimo valiosos, só sendo algo muito interessante pra eu assistir. E olha que eu assisti a entrevista inteira, de cabo a rabo. Adorei. O Eduardo Bueno, com toda aquela energia pra conversar, falava sem nem parar pra respirar, aquele sotaque carregadíssimo que chega a incomodar nós paulistas, idéias e frases inesperadas, cheias de bom humor. Eu adoro isso. Adoro gente inteligente, não afetada, sincera. Pode até ser escrota, mas sincera. Porque eu detesto intelectuais que te olham de cima. Quando estudei Letras na Unicamp, conheci muito pseudo-intelectual, e sei identificar essa raça de longe. Fazer o quê, me aporrinha, como diria o Bandeira. Dia dos namorados? Hum, até que foi bom, embora eu não dê mais muito valor a datas como essa. Especialmente quando se mora em um bairro em que o caráter comercial de datas comemorativas fica tão evidente. Por exemplo, ao entrar no Pão de Açúcar, pra fazer a comprinha básica e humilde da semana, logo na entrada, tinha uma enooorme prateleira, não só com flores (claro, flores, dia dos Namorados, tudo a ver) e bombons (também um item típico da data), mas também morangos, mel, chantilly, vinho, acete balsâmico... E aí a gente não consegue evitar de pensar: caramba, ou minha vida sexual anda devagar ou a dos clientes desse supermercado é que anda às mil maravilhas. Detalhe: a idade média dos clientes do pessoal que compra lá é... hum... 5.0. Escrito por Thaida às 09h10 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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